A Proclamação da República e a Revolução de 1930 impulsionaram a modernização. O Código Eleitoral de 1932 foi crucial, introduzindo voto secreto, sufrágio feminino e a Justiça Eleitoral (JE), que transferiu a organização e apuração dos pleitos para o Judiciário, garantindo transparência e independência, combatendo o controle do Executivo e dos coronéis.
No Paraná, o Tribunal Regional Eleitoral (TRE-PR) foi instalado em 9 de junho de 1932, sob a presidência do Desembargador Carlos Pinheiro Guimarães. A primeira eleição sob as novas regras, para a Assembleia Nacional Constituinte, ocorreu em maio de 1933. Dos 1,1 milhão de habitantes, apenas 25 mil eleitores participaram, devido à proibição do voto aos analfabetos. A partir de então, o TRE organizou as zonas eleitorais, acompanhando a expansão do estado.
10 de dezembro de 1937
Com a instauração do Estado Novo por Getúlio Vargas e a Constituição de 1937, a Justiça Eleitoral foi extinta, suspendendo as eleições livres e estabelecendo eleições indiretas para a presidência.
A reinstalação da Justiça Eleitoral no Paraná ocorreu em 7 de junho de 1945, sob a presidência do Desembargador Clotário Portugal, marcando o fim da supressão institucional imposta pelo Estado Novo. Operando inicialmente de forma improvisada na sede da Sociedade Garibaldi com apenas nove funcionários, o Tribunal enfrentou o desafio de organizar, em apenas sete meses, o retorno da democracia no estado. A estrutura foi montada com rapidez, dividindo o Paraná em 40 zonas eleitorais e superando obstáculos logísticos imensos, como a infraestrutura precária e o uso de telegramas para comunicação.
O esforço culminou nas eleições de dezembro de 1945, nas quais mais de 195 mil paranaenses foram às urnas para eleger o Presidente da República e a Assembleia Constituinte. Com o apoio dos Correios e do Corpo de Bombeiros na logística das 862 urnas, o pleito transcorreu em ordem, e a apuração foi concluída em janeiro de 1946. Apesar do falecimento repentino do Desembargador Leonel Pessoa da Cruz Marques, que cancelou as festividades de diplomação, a entrega dos títulos aos eleitos consolidou o sucesso da missão de devolver a soberania ao voto popular e garantir a transparência no estado.
1947-1956: 3ª Sede: Edifício da Praça Carlos Gomes, 193
1949: Divisão Territorial e Zonas Eleitorais
Em 12 de abril de 1949, o Tribunal Superior Eleitoral aprovou o novo plano de divisão eleitoral do Paraná, permitindo que o estado iniciasse o ano de 1950 com sua estrutura expandida para 65 zonas eleitorais. Este reordenamento buscou adequar a jurisdição eleitoral à nova organização judiciária estadual, refletindo o crescimento demográfico e a emancipação de novos polos regionais. Entre as principais alterações, destacou-se o reforço administrativo em comarcas estratégicas, com a criação da segunda zona eleitoral em Londrina (41ª e 42ª) e em Guarapuava (43ª e 44ª). O plano também contemplou Foz do Iguaçu (46ª), que, após a extinção do Território Federal do Iguaçu, foi integrada à administração paranaense, e estabeleceu zonas em polos emergentes como Mandaguari (60ª), que à época abrangia a região de Maringá antes de sua plena emancipação política.
1955: Inovação Legislativa com adoção da cédula única, do título de eleitor com fotografia, da urna de lona e da folha de votação
Cédula única de votação utilizada nas eleições presidenciais de 1955
Título de Eleitor utilizado entre 1956 a 1986
Urna de lona utilizada no Estado do Paraná entre 1955 até 1998
Modelo de folha votação, atualmente substtuída pelo caderno de eleição
1956: 4ª Sede (1956-1987) Palácio São Francisco
1956 -1962: Campanhas pelo alistamento de 1 milhão de eleitores
Entre o final da década de 1950 e o início de 1960, o TRE-PR empreendeu esforços para expandir o colégio eleitoral paranaense por meio da denominada "Campanha do Milhão". A iniciativa consistiu no envio de circulares a Juízes Eleitorais, Prefeituras e Câmaras Municipais, visando intensificar o registro de cidadãos, especialmente nas regiões do interior em franco crescimento.
Embora o levantamento de junho de 1959 indicasse pouco mais de 531 mil eleitores, as eleições presidenciais de 1960 registraram um contingente de 885.418 pessoas aptas, aproximando a instituição da meta estabelecida.
O objetivo de atingir a marca de um milhão de eleitores foi oficialmente alcançado em agosto de 1962. Naquela ocasião, o Paraná consolidou sua relevância política ao atingir o posto de 5º maior colégio eleitoral do país.
O sucesso do alistamento foi tamanho que motivou gestões junto às instâncias superiores em Brasília para o debate sobre a aplicação da "cédula única", em virtude do volume expressivo de votantes que a estrutura jurisdicional passaria a administrar.
Fundamental para este resultado foi a atuação da Arregimentação Cívico-Eleitoral Feminina (ARCEF). O movimento, descrito nos registros históricos como uma demonstração de patriotismo e abnegação, recebeu voto de louvor unânime da Corte em 1962.
1970: Campanha Pró Aumento do Eleitorado
No ano de 1970, sob a égide do regime militar, foi deflagrada a Campanha Pró-Aumento do Eleitorado, uma iniciativa do Governo do Estado viabilizada pela Secretaria do Interior e Justiça. Diferente de um movimento de mobilização democrática espontânea, a campanha estruturou-se como uma estratégia de Estado para elevar o peso político do Paraná no cenário federal. O objetivo central era o preenchimento de requisitos demográfico-eleitorais que permitissem a ampliação do número de cadeiras nas bancadas da Câmara Federal e da Assembleia Legislativa, fortalecendo a representatividade paranaense conforme as normas de representação da época.
A execução logística da campanha dependeu da infraestrutura das prefeituras municipais, que forneceram o suporte material e de pessoal necessário para o alistamento. O Tribunal Regional Eleitoral do Paraná atuou na supervisão técnica e jurisdicional do processo. Conforme registros de junho de 1970, a articulação entre o governo estadual e as administrações municipais garantiu a capilaridade necessária para atingir as metas de cadastramento.
Como resultado dessa cooperação institucional entre as esferas do Executivo e o Judiciário Eleitoral, o estado atingiu a marca de 2.086.090 eleitores. O período ficou marcado pela institucionalização do alistamento como uma meta de gestão governamental, subordinada às necessidades de expansão das bancadas legislativas e à organização administrativa do território estadual.
1979: Crescimento populacional, êxodo e urbanização: TRE-PR cria e remaneja zonas eleitorais nos médios e grandes municípios
Em 29 de maio de 1979, o Tribunal Superior Eleitoral aprovou a Resolução nº 10.669, que autorizou o desmembramento de diversas zonas eleitorais em comarcas de médio e grande porte no Paraná. Esta medida foi fundamental para aliviar a sobrecarga administrativa em polos que acompanhavam o ritmo acelerado de urbanização, como Maringá, onde a 66ª ZE geria sozinha 112 mil eleitores.
Com a intervenção, foram criadas novas unidades como a 137ª ZE em Maringá; a 138ª ZE em Paranavaí ; a 139ª ZE em Ponta Grossa; a 140ª ZE em Francisco Beltrão ; a 141ª ZE em Campo Mourão ; a 142ª ZE em Umuarama ; a 143ª ZE em Cascavel; a 144ª ZE em São José dos Pinhais ; a 146ª ZE em Londrina e a 147ª ZE em Foz do Iguaçu, redistribuindo o eleitorado para garantir a eficiência dos serviços judiciários.
Além desses municípios, a reestruturação contemplou acriação da 145ª em Curitiba. Esta expansão marcou a modernização do TRE-PR, assegurando que a capilaridade da Justiça Eleitoral permanecesse compatível com o crescimento das comarcas e com a complexidade das novas regiões metropolitanas do Estado.
1945 - Clotário de Macedo Portugal
1945 - Leonel Pessoa da Cruz Marques
1946 - Antonio Leopoldo dos Santos
1948 - Manoel Lacerda Pinto
1949 - Cid Campêlo
1951 - 1961 - 1964 - Francisco Cunha Pereira
1955 - Eduardo Xavier da Veiga
1956 - Antônio Franco Ferreira da Costa
1959 - Segismundo Gradowski
1959 a 1964 - Lauro Fabrício de Melo Pinto
1964 - Francisco de Paula Xavier Filho
1965 - Isidoro João Brzezinski
1966 - José Pacheco Júnior
1966 - Jairo Campos
1968 - Henrique Nogueira Dorfmund
1970 - Alberto de Carvalho Seixas
1970 - Alcino de Carvalho E Souza
1970 - Vatel Gonçalves Pereira
1970 - Julio Ribeiro de Campos
1973 - Arthur Heráclio Gomes Filho
1974 - Ossian França
1975 - Zeferino Mozzato Krukoski
1976 - Heliantho Guimarães Camargo
1978 - Ronald Accioly Rodrigues Da Costa
1979 - Alceu Conceição Machado
1979 - Jorge Andriguetto
1981 - Mário Lopes Dos Santos
1982 - Cláudio Nunes Do Nascimento
1983 - Szczepan Maximiliano Stasiak
1984 - Clementino Schiavon Puppi
1985 - José Lemos Filho
1986 - Eros Nascimento Gradowski
1986: Implantação do Cadastro Eleitoral Informatizado e Revisão Geral
Em 1986, a Justiça Eleitoral brasileira adotou o processamento eletrônico de dados para o alistamento, em cumprimento à Lei nº 7.444/1985. Essa medida visava a substituição dos cadastros regionais por um sistema nacional e centralizado, possibilitando a criação de um número de inscrição eleitoral único.
No Paraná, o recadastramento geral ocorreu entre abril e agosto, que se tornou um marco na depuração do corpo de votantes, essencial para combater fraudes e modernizar a estrutura institucional em pleno período de transição democrática. A adesão dos eleitores superou 90% de comparecimento na maioria dos municípios. Esse mutirão permitiu a regularização de títulos e a inclusão de eleitores analfabetos.
O processo exigiu o comparecimento presencial dos eleitores para o preenchimento do Formulário de Alistamento Eleitoral (FAE) e a retirada do novo título (modelo sem fotografia). Essa iniciativa consolidou a base tecnológica essencial para o futuro desenvolvimento da urna eletrônica. Ao final do recadastramento, o Paraná totalizou 4.316.029 eleitores habilitados. Os dados revelaram o impacto das transformações econômicas e do êxodo rural no estado. Enquanto cidades de perfil agrícola, como Paranavaí e Porecatu, viram o eleitorado diminuir drasticamente devido à mecanização, centros urbanos como Cascavel, Maringá e Ponta Grossa registraram crescimento expressivo. Curitiba consolidou-se como o maior colégio eleitoral, com 705.802 eleitores aptos, um acréscimo de 200 mil pessoas em relação ao período anterior, o que confirmou a eficácia da informatização na gestão do novo perfil demográfico paranaense.
1987: Transferência para a 5ª Sede (Alameda Cabral, 184)
Em 27 de fevereiro de 1987, o Tribunal Regional Eleitoral do Paraná inaugurou sua nova sede administrativa em um edifício localizado na Rua Cruz Machado, no centro de Curitiba. Enquanto a Secretaria do Tribunal ocupava as novas instalações, as zonas eleitorais da capital permaneceram por mais tempo em um prédio anexo ao Palácio São Francisco, evidenciando uma ocupação territorial fragmentada que incluía também andares no Edifício Asa e uma central de atendimento na Rua Dr. Pedrosa.
A inauguração da sede na Cruz Machado ocorreu sob a presidência do Desembargador Eros Nascimento Gradowski e contou com a presença do Ministros do TSE Moreira Alves e José Néri da Silveira. Na ocasião, a Sala de Sessões foi batizada em homenagem a Geraldo da Costa Manso, ex-diretor geral do TSE, que dedicou décadas de serviço à Justiça Eleitoral brasileira.
1988: A Constituição Cidadã e a regularidade do calendário eleitoral
A Constituição Federal de 1988 implementou uma reestruturação profunda na Justiça Eleitoral, consolidando-a como o pilar da estabilidade democrática nacional. Ao estabelecer o sufrágio universal e ampliar o direito ao voto — abrangendo o alistamento facultativo para jovens de 16 e 17 anos e a extensão do direito de voto aos analfabetos —, a Carta Magna visou à máxima inclusão do corpo social no processo decisório.
Essa nova ordem constitucional definiu, ademais, uma dinâmica cíclica para a organização das consultas populares, estabelecendo pleitos a cada biênio, alternados entre os âmbitos municipal e geral. Essa periodicidade impõe à Justiça Eleitoral uma mobilização logística e administrativa contínua, garantindo que o exercício da soberania popular, seja para a escolha de representantes locais ou para a composição dos poderes estaduais e federais (Senado Federal, Câmara Federal e Assembleia Legislativa), transcorra de forma segura, íntegra e ininterrupta.
Entre a promulgação da Constituição Federal de 1988 e o término da década de 1990, o Brasil consolidou seu calendário democrático com a realização das Eleições Presidenciais em 1989, eleições gerais em 1990, 1994 e 1998, intercaladas pelos pleitos municipais de 1992 e 1996, além de um plebiscito em 1993.
Entre o início da década de 2000 e o pleito de 2008, a Justiça Eleitoral brasileira consolidou a informatização plena do sistema de votação, realizando as Eleições Gerais de 2002 e 2006 — que abrangeram as escolhas para Presidente, Governadores, Senado Federal, Câmara Federal e Assembleia Legislativa — intercaladas pelas Eleições Municipais de 2000, 2004 e 2008, além da realização do Referendo Nacional sobre o Desarmamento em 2005.
1989: Eleições presidenciais e a estréia do voto jovem
As eleições presidenciais de 1989 constituíram o primeiro pleito direto para o cargo após um intervalo de 29 anos, fundamentadas nos preceitos da Constituição de 1988. O cenário político foi marcado pela fragmentação partidária, com a participação de 22 candidaturas, e por um contexto econômico de hiperinflação. No Paraná, o resultado do primeiro turno demonstrou a preferência do eleitorado por Fernando Collor de Mello, seguido por Leonel Brizola e Guilherme Afif Domingos, indicando o distanciamento em relação às legendas que compuseram a base de sustentação da transição democrática. No segundo turno, Fernando Color de Melo venceu Luiz Inácio Lula da Silva.
A estrutura do eleitorado foi alterada pela vigência do voto facultativo para jovens de 16 e 17 anos e pela extensão do sufrágio aos analfabetos, conforme as novas disposições constitucionais. No estado, a implementação desses direitos resultou em uma mobilização administrativa nos cartórios eleitorais para o atendimento da demanda de alistamento dentro dos prazos legais. A inclusão desses novos segmentos foi determinante para a expansão da base votante e para a reconfiguração do perfil sociopolítico dos cidadãos aptos ao exercício do voto.
Em termos estatísticos, o Paraná consolidou um contingente de 5.045.626 eleitores inscritos. No segundo turno do pleito, os registros oficiais do Tribunal Regional Eleitoral indicam o comparecimento de 4.393.547 eleitores, o que corresponde a 87,07% do total. A abstenção fixou-se em 652.079 eleitores, representando um índice de 12,93%. Esses dados confirmam a elevação do engajamento eleitoral paranaense no processo de consolidação institucional do período
1980 a 2007: Expansão do quadro funcional por meio de concursos públicos
Historicamente, a operacionalização da Justiça Eleitoral no Paraná dependeu de uma estrutura descentralizada e da colaboração de outras instâncias do Poder Público. Até a consolidação de um quadro efetivo, a execução das atividades nas zonas eleitorais fundamentava-se nas figuras do Escrivão Eleitoral, muitas vezes oriundo da justiça comum, e do Preparador Eleitoral, que atuava em municípios que não eram sede de zona para viabilizar o alistamento. O Tribunal valia-se amplamente de servidores requisitados de prefeituras e do governo estadual, uma dependência administrativa que exigia articulação constante entre os Poderes para garantir o contingente humano necessário aos pleitos.
A transição para um modelo de profissionalização acentuou-se na década de 1980, com a realização de processos seletivos e o aproveitamento de concursos públicos realizados por instituições parceiras, como a UFPR, para cargos de Agente Administrativo e Atendente Judiciário. Esse período marcou o início da substituição das antigas formas de provimento e ascensão funcional por critérios técnicos e meritocráticos, alinhando a gestão de pessoas às exigências de modernização administrativa e de maior autonomia institucional perante as estruturas externas de colaboração.
A consolidação definitiva do quadro próprio foi alcançada com os concursos públicos de ampla escala, destacando-se o concurso de 2002 e 2005. O preenchimento sistemático dos cargos de Analista e Técnico Judiciário tanto na Secretaria quanto nas Zonas Eleitorais do interior, reduzindo gradualmente a necessidade de requisições e garantindo a especialização dos serviços prestados. Essa evolução reflete a maturidade administrativa do TRE-PR, que transformou uma força de trabalho outrora transitória e multifacetada em um corpo técnico estável e qualificado para os desafios da democracia moderna.
1993: Fixação da divisão eleitoral em 206 zonas eleitorais
Com base na legislação compilada de 1993, a reorganização da malha eleitoral do Paraná atingiu seu ápice com um planejamento estratégico de descentralização. Em 1º de julho de 1993, a Resolução nº 258 estabeleceu o rezoneamento da capital, recompondo as zonas históricas (1ª a 4ª e 145ª) e instituindo as zonas 174ª a 178ª. Esse movimento foi essencial para segmentar o atendimento em Curitiba por bairros e regiões administrativas, garantindo que a estrutura judiciária acompanhasse a complexidade urbana e o adensamento populacional das periferias e novos polos habitacionais.
O ciclo de expansão foi consolidado em 13 de outubro de 1993, através de uma série de resoluções (260 a 279) que promoveram o desmembramento simultâneo em diversas comarcas do interior e regiões metropolitanas. Entre os marcos desse período, destacam-se a criação das zonas 189ª, 190ª e 191ª em Londrina (Res. 269) e das zonas 192ª e 193ª em Maringá (Res. 270). Além de reforçar polos como Cascavel, Ponta Grossa e Foz do Iguaçu, a Justiça Eleitoral conferiu autonomia a municípios como Cambé (181ª), Colombo (186ª), Piraquara (195ª) e Sarandi (206ª), estruturando o território para a implementação das inovações tecnológicas que marcariam a década de 1990.
1995: Solenidade de aniversário de 50 anos do TRE-PR
Para celebrar o cinquentenário de sua reinstalação, o Tribunal Regional Eleitoral do Paraná promoveu uma solenidade festiva no dia 7 de junho de 1995, às 19 horas, no Palácio Avenida, localizado em Curitiba. O evento, liderado pelo Desembargador Haroldo Bernardo da Silva Wolff, reuniu autoridades e juristas para o lançamento de uma Edição Histórica que resgatou a trajetória institucional desde 1945. A comemoração foi marcada pelo descerramento de placas e discursos que destacaram a importância da memória para os desafios da futura informatização, consolidando o jubileu de ouro como um marco de prestígio e integração entre os membros da Justiça Eleitoral paranaense.
A celebração oficial em plenário ocorreu no dia seguinte, durante a 34ª Sessão Ordinária, realizada em 8 de junho de 1995. Nesta ocasião histórica, o Tribunal formalizou homenagens através de um voto de louvor à Presidência e da inauguração de uma placa comemorativa na Sala do Conselho com os nomes de todos os integrantes da Corte na data. O momento também serviu para o reconhecimento do mérito técnico, com o elogio funcional registrado para a Tecnologia de Informação do Tribunal pelo pioneirismo no desenvolvimento da informática no alistamento eleitoral, simbolizando a transição da tradição para a modernidade tecnológica da instituição.
1996: Início da era digital: implantação do sistema eletrônico de votação
A implementação da urna eletrônica no Paraná consolidou o processo de modernização do sufrágio, unindo segurança e acessibilidade. O estado foi protagonista em 1996 ao realizar, em Curitiba, o primeiro simulado nacional do equipamento, o que permitiu correções técnicas cruciais antes da estreia oficial nas eleições daquele ano na capital e em Londrina. O projeto, concebido para eliminar a intervenção humana na apuração, utilizou uma interface simples baseada no teclado telefónico para garantir que analfabetos e deficientes visuais exercessem a cidadania sem auxílio, eliminando fraudes históricas do período de cédulas de papel. A universalização do sistema ocorreu no pleito de 2000, quando todos os municípios paranaenses passaram a utilizar a urna eletrônica.
1998: 6ª Sede – Inauguração do edifício da Rua João Parolin, 224
A inauguração da sede atual do Tribunal Regional Eleitoral do Paraná, localizada na Rua João Parolin, 224, em Curitiba, ocorreu em 14 de dezembro de 1998, consolidando-se como um marco de modernização institucional. O novo edifício-sede foi projetado para centralizar as atividades administrativas e jurisdicionais, oferecendo uma infraestrutura robusta para suportar o avanço tecnológico da Justiça Eleitoral, que naquele momento já operava integralmente com o sistema informatizado de votação em diversos polos do estado.
1999: Concessão do selo de qualidade ISO 9002 à Central de Atendimento
O TRE-PR obteve a certificação ISO 9002 em 1999, um feito que representou um marco inédito de excelência na gestão pública. O Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR) consolidou-se como o primeiro órgão do Poder Judiciário no país a receber este selo de qualidade para sua Central de Atendimento ao Eleitor (CAE) de Curitiba, atestando o elevado padrão de qualidade e a agilidade nos serviços prestados à população
Tal certificação refletiu um processo de profunda modernização administrativa que resultou na otimização de processos e na drástica redução do tempo de atendimento ao cidadão. Na solenidade de descerramento da placa comemorativa, o então presidente do Tribunal, Desembargador Altair Patitucci, ressaltou com orgulho o pioneirismo da instituição na busca pela excelência, transformando a CAE em um paradigma tecnológico e de eficiência para as demais cortes eleitorais do Brasil.
2001-2020: Construção Pioneira de Fóruns Eleitorais em 156 municípios paranaenses
A institucionalização da rede de Fóruns Eleitorais no interior do estado consolidou uma estratégia de autonomia administrativa e padronização do atendimento jurisdicional. Tal iniciativa, intensificada a partir do final da década de 1990, objetivou substituir a dependência de espaços cedidos por prefeituras ou fóruns comuns da Justiça Estadual por edifícios próprios, tecnicamente concebidos para atender às demandas específicas do serviço eleitoral. Essas estruturas foram projetadas em consonância com critérios de acessibilidade e segurança, contemplando áreas adequadas para o armazenamento e a manutenção do parque de urnas eletrônicas, além de assegurar um ambiente estável para o processamento de dados e o acolhimento do cidadão em todas as regiões do Paraná.
A expansão dessa malha predial permitiu à Justiça Eleitoral estabelecer uma presença física permanente e independente, fortalecendo a capilaridade da instituição para além da capital. Do ponto de vista operacional, a edificação dos fóruns otimizou a logística das zonas eleitorais, proporcionando a servidores e magistrados infraestrutura dedicada para a realização de audiências e para o gerenciamento dos pleitos. Este processo de consolidação patrimonial é apresentado na obra como um dos pilares da modernização do Tribunal, garantindo que a infraestrutura física acompanhasse a evolução tecnológica e jurídica necessária para a estabilidade do processo democrático no território estadual.
1987 - Lauro Lima Lopes
1988 - Frederico Mattos Guedes
1989 - Negi Calixto
1990 - Leandro de Freitas Oliveira
1991 - Sydney Dittrich Zappa
1992 - Adolpho Krüger Pereira
1994 - Oto Luiz Sponholz
1995 - Haroldo Bernardo Da Silva Wolff
1996 - Luiz José Perrotti
1997 - Wilson Reback
1998 - Vicente Troiano Netto
1999 - Altair Ferdinando Patitucci
2000 - Tadeu Marino Loyola Costa
2001 - Roberto Pacheco Rocha
2002 -Gil Trotta Telles
2003 a 2004 - Moacir Guimarães
2005 - José Ulysses Silveira Lopes
2006 - Clotário De Macedo Portugal Neto
2007 - Telmo Cherem
2008 - Ângelo Ithamar Scucato Zattar
2009 - Jesus Sarrão
2010 - Regina Helena Afonso de Oliveira Portes
2011: Intensificação do Recadastramento Biométrico
A implementação da biometria representou o passo definitivo para a erradicação de fraudes na identificação dos votantes. O projeto, fundamentado na leitura das impressões digitais, teve seu primeiro teste prático no estado em 2009, no município de Balsa Nova, na Região Metropolitana de Curitiba. Em 2011, o Tribunal Regional Eleitoral iniciou o processo de revisão biométrica na capital, abrangendo um eleitorado de quase 1,3 milhão de pessoas, o que serviu como modelo para a expansão gradual do sistema por todo o território paranaense.
A conclusão do recadastramento biométrico em todos os municípios do estado ocorreu em 2019, preparando o Paraná para realizar, originalmente em 2020, o primeiro pleito com identificação integralmente digital. Embora a obrigatoriedade da biometria tenha sido suspensa nas eleições municipais daquele ano em decorrência dos protocolos sanitários da pandemia de COVID-19, o sistema foi plenamente consolidado nas eleições gerais de 2022. Esta evolução tecnológica permitiu à Justiça Eleitoral assegurar que cada eleitor fosse único no sistema, reforçando a segurança do processo que já era auditável desde a criação do cadastro nacional informatizado em 1986.
2017: Rezoneamento e readequação da divisão eleitoral do Paraná
Historicamente, a divisão territorial do estado sofreu diversas alterações para acompanhar o crescimento demográfico e a dinâmica urbana do Paraná, culminando na estrutura que assegura a capilaridade da Justiça Eleitoral em todas as regiões. O rezoneamento, notadamente o implementado em 2017 por determinação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), demandou do Tribunal Regional Eleitoral do Paraná um considerável esforço logístico para o remanejamento de eleitores e a reorganização das jurisdições, sem que houvesse prejuízo ao atendimento. A manutenção das 186 zonas eleitorais vigentes é crucial para garantir que, mesmo em áreas remotas ou de acesso dificultado, a presença institucional se concretize de maneira efetiva. Essa estrutura viabiliza que a gestão das urnas, a fiscalização da propaganda eleitoral e o processamento de dados ocorram de forma descentralizada, assegurando a integridade e a celeridade dos pleitos em todo o território estadual.
2019: Inauguração da Usina Fotovoltaica Des. José Antônio Vidal Coelho em Paranavaí
A inauguração da Usina Fotovoltaica de Paranavaí, em 2019, consolidou o tribunal como referência nacional em sustentabilidade e eficiência energética no âmbito do Poder Judiciário. O projeto foi concebido com o propósito de suprir a demanda de consumo de energia de diversos fóruns eleitorais localizados no interior do estado, empregando uma fonte limpa e renovável para promover uma redução substancial nos custos operacionais e no impacto ambiental da instituição. Além da significativa economia financeira, a usina simboliza o firme compromisso da Justiça Eleitoral paranaense com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, harmonizando a modernização da infraestrutura física com a responsabilidade ecológica indispensável ao fortalecimento das instituições democráticas no século XXI.
2020: Pandemia do Coronavirus
Corte do TRE-PR realizando sessões virtuais
Montagem dos locais de votação
Cartaz informativo de conscientização do primeiro turno em 15 de novembro
A pandemia de COVID-19 é descrita como um dos períodos mais desafiadores da história da Justiça Eleitoral, exigindo uma superação sem precedentes para garantir o exercício da democracia. OTribunal teve de adaptar toda a sua logística para as Eleições Municipais de 2020, que foram adiadas para novembro por meio de emenda constitucional. Entre as medidas extraordinárias, destacaram-se a suspensão da biometria para evitar o contato físico, a implementação do "Plano de Segurança Sanitária" com a distribuição de toneladas de equipamentos de proteção (máscaras, álcool em gel e protetores faciais) e a realização de julgamentos e atendimentos de forma totalmente remota, demonstrando a resiliência institucional do Paraná em assegurar o voto de milhões de cidadãos mesmo diante da maior crise de saúde do século.
2020: Programa Gralha Confere
O programa Gralha Confere consolidou-se como a primeira Central de Combate à Desinformação da Justiça Eleitoral brasileira, lançada em 2020 para enfrentar a propagação de notícias falsas e preservar a integridade do processo democrático. Utilizando a figura da gralha-azul como símbolo de vigilância e proteção, a iniciativa estabeleceu um canal direto via WhatsApp para verificação de fatos e promoveu uma ampla estratégia de educação midiática, unindo tecnologia e cidadania para garantir que o eleitorado paranaense tivesse acesso a informações oficiais e seguras, combatendo os efeitos nocivos da desinformação no ambiente digital.
2021-2026: Campanhas de conscientização e convocação de eleitores
As campanhas de encerramento de prazo refletem a transição da Justiça Eleitoral para um patamar de maior interatividade e enfoque na inclusão. Tais campanhas evoluíram para projetos estruturados em um "tripé" que engloba infraestrutura, divulgação, sustentabilidade e bem-estar, visando acolher o aumento exponencial da demanda nos dias que antecedem o fechamento do cadastro. Essas iniciativas incluem parcerias com instituições de ensino superior e secundário para atrair o eleitorado jovem (16 e 17 anos), além de semanas temáticas, como o Programa Cidadania Plena, que proporciona atendimento prioritário e especializado para segmentos específicos da sociedade.
2019–2025: Premiações e reconhecimento à excelência da gestão
Neste período, o Tribunal Regional Eleitoral do Paraná consolidou sua trajetória de eficiência administrativa e governança institucional, sendo reiteradamente reconhecido pela alta performance de sua gestão eleitoral.
O compromisso da Corte com os macrodesafios do Poder Judiciário refletiu-se na conquista do Prêmio CNJ de Qualidade na categoria Diamante — grau máximo de distinção conferido pelo Conselho Nacional de Justiça — por quatro ocasiões, correspondentes aos anos de 2020, 2022, 2024 e 2025.
Complementando esse ciclo de reconhecimento à excelência técnico-operacional, o Tribunal foi agraciado em 2025 com o Selo de Qualidade Eleitoral em duas edições, honraria que atesta o cumprimento das metas finalísticas, a transparência e a segurança jurídica aplicadas à integridade dos pleitos e ao atendimento à sociedade paranaense.
2011 - Irajá Romeo Hilgenberg Prestes Mattar
2012 - Rogério Luis Nielsen Kanayama
2013 - Rogerio Coelho
2014 - Edson Luiz Vidal Pinto
2015 - Jucimar Novochadlo
2016 - Luiz Fernando Tomasi Keppen
2017 - Adalberto Jorge Xisto Pereira
2018 - Luiz Taro Oyama
2019 - Gilberto Ferreira
Biênio 2020–2022 - Tito Campos De Paula
Biênio 2022–2024 - Wellington Emanuel Coimbra De Moura
Biênio 2024–2026 - Sigurd Roberto Bengtsson
Biênio 2026–2028 - Luciano Carrasco Falavinha Souza